Arquivo 2020

Um convite para a auto-descoberta

Karen Tie
Transformation Lead na Zup Innovation, Facilitadora e Mentora do Bootcamp de UX da Tera e Professora de UX e Service Design na Lemonade School
Amarela, aprendiz, esposa, musicista, pintora, aventureira

Profissional que usa a sensibilidade para desvendar problemas, captar referências, criar e constantemente aperfeiçoar relacionamento com pessoas. Curiosa por natureza e amante da criatividade, comunicação e co-criação. Formada em Design de Produto, estudou composição musical por 5 anos desenvolvendo percepção, intuição, consciência de ouvir e ser ouvida, conectividade e auto-compaixão, além de visão e execução de projetos, facilitações, elaboração de conceitos e de propostas de valor. Atua como líder de transformação, facilitadora, mentora e professora de UX e Service Design.

Karen Tie
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Alinhando expectativas contigo, não nasci escritora ou estudei jornalismo ou trabalhei com conteúdo, também não sou a maior leitora e não estou aqui para escrever uma tese ou algo do tipo… Mas te garanto que sou fascinada pela complexidade da vida humana, gasto a maior parte do meu tempo observando e ouvindo pessoas e por isso me propus expor as reflexões que esta atitude despertam em mim.

A reflexão sobre as interações

Reflito muito a respeito de como interagimos com o mundo, com os outros e, principalmente, como interagimos consigo mesmo. Dessa forma, te convido a mergulhar comigo em uma auto-descoberta do ser e compreender a importância disso para a auto-realização. Já escolheu sua música favorita para criar esse clima intimista? Então bora! ;) 

A interação com os outros

Observo muito como as pessoas querem ser ouvidas... mas como poucas querem ouvir de fato. Quando me coloco à disposição para ouvir uma pessoa, olhando nos olhos, escutando de coração aberto, algo realmente mágico acontece, uma conexão é criada.

Adoro fazer isso com pessoas estranhas, que nunca vi antes. É uma paixão que tenho com a vida. Para mim, o primeiro contato com uma pessoa é intrigante pois é uma página em branco, não nos conhecemos, não existe um histórico, chegamos ali quase que sem julgamentos e o ato de descobrir a sua história é como viver de uma outra perspectiva: suas escolhas, consequências e aprendizados. Há muita sabedoria por trás das falas e esta troca, alimenta minha vida, me move.

No entanto, para que uma verdadeira conexão aconteça, a auto-consciência e a atenção plena ao momento presente são essenciais, pois o outro, com todos seus mistérios, é um convite para a auto-descoberta, despertando sentimentos e emoções internas. Este contraste com o outro me instiga a olhar para mim mesma e toda essa interação é sempre um aprendizado. 

A interação consigo mesmo

Será que queremos ser ouvidos justamente por não conseguirmos nos sentir ouvidos por nós mesmos? Minha suposição é que muitas vezes a forma como interagimos com o outro e o mundo ao nosso redor é um reflexo de como estamos interagindo com nós mesmos, naquele momento. 

Como você tem interagido consigo mesmo ultimamente?

Te convido a se observar, se ouvir, se "re-conhecer"… iniciar uma auto-descoberta consigo mesmo.

Quais são as palavras que você repete quase como um mantra e não percebe? Comece a ouvir sua música interna, seu ritmo, suas palavras, suas cadências… Sua harmonia... Seu contraste com o mundo, com outros Universos, com outras pessoas… 

Toda interação é uma oportunidade de auto-descoberta, de encantamento, de melhoria, de conexão consigo mesmo. 

Acredito que para eu conseguir ouvir o outro, preciso primeiro me ouvir. Sempre que possível, busco começar o meu dia parando por 15 minutos para sentar, fechar os olhos e apenas me ouvir, me observar e sentir como estou naquele momento. 

Encaro a auto-observação e o auto-conhecimento como um caminho para me transformar, ser líder de mim mesma. 

Nas mentorias que participo, muitas pessoas me perguntam sobre o que é necessário para subir o nível de senioridade ou qual o caminho para a liderança… E quando respondo que é sobre uma reflexão de si mesmo, as habilidades que vão além das técnicas, as pessoas tendem a se acalmar. É uma investigação sobre si mesmo, é a maturação da visão que temos sobre nós mesmos.  

Será que os pensamentos, comportamentos e hábitos que possuo estão refletindo o meu ser para que eu me sinta auto-realizada? Está longe de cargos, reconhecimentos financeiros… São os meus sentimentos e necessidades comigo mesma, minha auto-realização e a construção da minha jornada para que isso aconteça. Depende muito mais de mim do que do outro ou das condições externas. 

Quando consigo fortalecer a percepção e concepção que tenho sobre mim, consigo abrir espaço para outro, criando uma roda para que a dança seja um verdadeiro compartilhar e não uma competição. O outro não é mais uma ameaça e sim um convidado pois há espaço interno para que ele também exista. 

Trabalhamos com estética e, seja ela visual ou não, é sobre a sensação que as interações despertam… Se vamos desenhar jornadas que despertam emoções e sensações que o cliente tem com a marca, por que não começar consigo mesmo e com as relações do nosso dia-a-dia? 

A importância da interação consigo mesmo no processo de criação

Para criar é preciso coragem. Coragem em acreditar na intuição de qual caminho seguir, qual ferramenta utilizar, em qual etapa do processo, se expondo e arriscando.

A base desta coragem para expor suas idéias ao criar é a auto-confiança, ou seja, a forma como eu respeito a minha própria individualidade, meu momento, minhas qualidades e dificuldades, mantendo sempre a humildade de compreender que também estou aprendendo.

O desenvolvimento da auto-confiança foi a virada de chave da minha vida, quando decidi cuidar desse pilar, tudo passou a se transformar. Ao longo dos meus dias, descobri que ninguém, ninguém mesmo, nasce auto-confiante, mas é uma habilidade como qualquer outra que pode ser desenvolvida. Assim como no design, primeiro encontrar sua raiz, o que te impede, seus pilares, uma auto descoberta para encontrar meios e caminhos de resolver, testar, praticar, iterar, pivotar… até que seja possível um vôo, um silêncio, uma paz de ser quem você realmente é. Mesmo que pareça que o mundo esteja te dizendo o contrário, um vôo é desafiar a gravidade e se lançar ao imprevisível. 

A força que o Design promove em minha vida para a auto-realização 

O Design me permite arriscar, a compreender que o risco do acerto ou do erro faz parte do processo de criação, mas principalmente, o Design me permite descobrir quem eu sou e muito mais que isso, ser quem eu sou e me convida a me reinventar a todo momento. Isso é único. 

Sou grata por ter escolhido essa carreira, essa profissão que acolhe pessoas de todas as carreiras, de todas as trajetórias, com todas suas riquezas de vivências, conhecimentos e contribuições. É usufruir da beleza natural da diversidade, desde etnias, carreiras, gêneros, quanto mais diverso, mais enriquecedor e forte serão as escolhas. Sim, somos responsáveis por garantir que essa inclusão aconteça, ainda que seja desafiador e exija muito auto-conhecimento e maturação para que a conexão e a troca realmente seja possível.

Na minha percepção o Design de experiência hoje tem o papel de humanizar as relações, permitindo que cada pessoa ao nosso redor seja ela mesma, autêntica, potencializando suas habilidades, sua confiança, criatividade e escuta ativa para que todos possam se auto-realizar, desde a descoberta à construção e uso de soluções, o foco é sempre o bem estar humano e suas interações.

Tie, e o que toda essa história de auto-descoberta têm a ver com Design?

Sou dessas que acredita que o Design pode mudar o mundo, como me muda a cada dia, mas a provocação aqui é começar consigo mesmo, realizar uma auto-descoberta e ser líder de si pois a todo momento estamos nos transformando e influenciando essa transformação ao nosso redor através das interações que criamos. 

"Vigie seus pensamentos, eles tornam-se palavras.
Vigie suas palavras, elas tornam-se ações.
Vigie suas ações, elas tornam-se hábitos.
Vigie seus hábitos, eles formam seu caráter.
Vigie seu caráter, ele se torna seu destino."

Frank Outlaw

Agradeço a cada pessoa que permitiu que uma conexão fosse criada quando nos encontramos. 

Agradeço a oportunidade, Vitor Guerra, uma honra. Agradeço a Denise Rocha, Bruna Amancio, Eduardo Carneiro, Heryk Slawsky, Fernanda Godoy, Viviane Delvaux, amigxs queridxs, Wander Vieira, Claudio Yamaguchi, Guilherme Jamur e Guilherme Chiara que confiaram em mim e me permitiram ser quem eu sou, me dando uma oportunidade para começar. Renan Migliorini por me ensinar a cada dia nessa jornada que escolhemos viver juntos. Valeria de Brito Reis, Felipe Carriço, Alexandre Zanardo, Nathalia Rodrigues, Rafael Novello, Eike Medeiros, Lucas Freire, Malu Garcia, Gabriela Souza e Julia Moimas pela parceria e labuta do dia-a-dia. Admiro MUITO cada um de vocês.

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