Arquivo 2020

UI Designer? Deus me livre, mas quem me dera!

Adelmo Neto
Product Designer na Agendor
Criativo, visual, inconformado com a forma das coisas

Product Designer belenense com coração de UI Designer atuando há mais de 12 anos na área criativa. Bacharel em Design pela Universidade do Estado do Pará e especialista em Service Design pela Universidade Positivo.

Adelmo Neto
Escute este artigo
"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu"

Roda Viva (Chico Buarque)

O Chico é um grande mestre no uso das metáforas. Ele usava essa figura de linguagem para falar de algo, sem falar. Principalmente nos idos da Ditadura.

Roda Viva fala de quando a vida toma um rumo inesperado. Diferente daquilo tido como certo de acontecer. Muito pertinente ao momento que vivemos, não???

Em um passado ainda recente...

Lembro que decidi ser web designer quando caí no vanguardista site da Eye4u (na época era, pelo menos). Maravilhado com aquela profusão de cores e formas em movimento, o que se seguiu foi uma tórrida relação de amor com os pixels, delirios "eskeomórficos" e telas, muitas telas desenhadas no Fireworks e Photoshop.

As agências digitais reinavam em um mercado ainda aquecido pelo "Boom da Web". Todas as marcas, das pequenas as grandes, buscavam fincar suas bandeiras neste admirável mundo novo chamado Internet. 

Tudo ia bem, até que…

O mercado chegou a frustrante constatação que suntuosos sites corporativos e hotsites full-flash não faziam jus ao investimento. Para contornar a situação, grandes corporações passam a formar seus próprios times de design, em um modelo bastante diferente das agências digitais.

De web designers a arquitetos da informação, ux designers, e mais recentemente, product designers, a pessoa designer assumia um papel cada vez mais amplo e decisivo no mercado digital. De simples pintores de pixels a pontos focais estratégicos em qualquer negócio que se considere disruptivo, da Pesquisa de campo à Prototipação, do Discovery ao Deployment, da API ao OKR, lá estavam presentes, com uma opinião que devia ser levada em conta. Assim surgiam as Design Led Companies.

"A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá..."

O termo UX se tornou sexy e designers, os queridinhos do momento! Tantas eram as competências de um product designer, que a última coisa que ele passou a fazer foi design. Escaparam da sedução das interfaces, para abraçarem as generalidades em tempos de comoditização do design. O resultado? Queda de qualidade na execução.

E o que vemos hoje é uma crescente busca por profissionais de design com expertise em User Interface (UI) e Visual Design para compor times multidisciplinares. Os ditos especialistas em design de interfaces, ou UI designers.

É Chico. A roda viva girou. Novamente...

"Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"

Conto isso porque me vi bem no meio desse "Roda moinho". Assumindo e abdicando rótulos conforme conveniente. Tentando ser o que o mercado queria que fosse. 

O lado bom disso tudo? No fim, estas "reviravoltas" têm me ensinado a responder, enquanto UI designer, às demandas de um mercado em constante evolução. 

Compartilho alguns aprendizados aqui:

Aceite ser o coadjuvante.

É. A interface deixou de ser a protagonista desta história há muito tempo. Contudo, não devemos ignorar o seu potencial em dar evidência aos grandes e verdadeiros protagonistas dos tempos presente e futuro.

Pense em como as interfaces podem ser úteis para combater o vício em telas. Contraditório? Não. Imagine uma UI preocupada não somente em favorecer a ação desejada, mas também em retirar as pessoas da frente da tela o quanto antes. Teríamos menos tempo com distrações e mais tempo de qualidade com quem amamos e o mundo à nossa volta, não é mesmo?

Ou então, como podemos usá-las para dar voz à discursos relevantes do nosso tempo: Diversidade, inclusão, acessibilidade, e tantos outros... 

Os incontáveis signos da camada visual do design, como ilustrações, cores e estilos devem representar a sociedade plural e diversa que se utiliza destas interfaces. Um exemplo prático do que estou falando pode ser conferido nesta publicação do time de design do AirBnB.

Ou ainda usar as interfaces gráficas como aliadas na implantação e suporte de novas tecnologias. Ou até quem sabe, abrir mão delas, por que não?

Golden Krishna em seu livro "The Best Interface is No Interface", questiona o uso de interfaces gráficas em produtos e serviços, quando os problemas em questão poderiam ser resolvidos sem elas. Veja o que ele diz:

"Tecnologias complexas(se referindo à sistemas de prevenção de acidentes em aviões) estão usando uma ferramenta simples para lidar com falhas: interfaces gráficas. Como um backup. Como uma experiência secundária. Esta transição de experiência primária para secundária tem se mostrado um caminho inteligente para um futuro sem interfaces"
(Golden Krishna, 2015)

Entender o potencial catalisador das interfaces, ao invés de tratá-las como protagonistas é fundamental para que o UI designer se torne um personagem relevante em novos contextos.

Espalhe as boas práticas.

De um lado, negócios requerem padrões de design escalonáveis. De outro, pessoas buscam experiências cada vez mais pessoais, personalizadas e únicas. Que paradoxo, não?

No centro desta equação, UI designers têm descoberto um terreno fértil para explorações visuais e difusão de novos padrões, tornando-se peças-chave na concepção de Design Systems.

Em uma ponta, designers concebem os padrões, tokens e artefatos visuais. Na outra, times de produto utilizam estes componentes na construção das interfaces, detectando oportunidades de melhoria e adaptação. O processo se retroalimenta. Viva à Colaboração!

Já pensou no papel destes profissionais como difusores de conhecimento e boas práticas? Como educam o olhar das pessoas, quer designers ou não, traduzindo conceitos e demandas de nosso tempo em padrões visuais de interface?

Seremos estratégicos neste cenário, à medida que nos comprometermos com a difusão de boas práticas e fomentarmos um ambiente colaborativo.

Evidencie o impacto das decisões de UI.

Saber medir o impacto de uma UI no negócio é essencial para o fortalecimento da disciplina.

Aarron Walter discorre sobre como medir o impacto da utilização de Emotional Design em métricas de negócio no seu livro "Designing for Emotion". Embora o tema da obra seja mais amplo, a maioria dos exemplos citados por ele dizem respeito ou se aplicam ao uso de UIs. 

Começar com pequenas intervenções de UI, com o intuito de melhorar métricas específicas (como tempo de tela, ou taxa de conversão), assim como apresentar cases de sucesso baseados em intervenções de UI em produtos afins, são consideradas boas estratégias segundo Walter.

Já eu diria: "foca no qualitativo!". Ao meu ver, questões como "porque usam", ou "como se sentem?" são mais assertivas para medir o impacto positivo de uma UI do que descobrir números e quantidades.

A moral dessa história...

UIs e Visual designers que aprendem a ler as demandas do tempo presente (ou de um horizonte próximo) e entendem a interface como um meio, não um fim, são os que permanecem relevantes, a despeito de todas as transformações que possam surgir.

A nós, resta desapegar das roseiras que a roda viva levar e plantar as novas que desejamos para o futuro.

As interfaces, sejam gráficas, sonoras, neurais, não importa... Elas estarão lá. Nós também.

Deploy.me
Desenvolva sua carreira em UX Design, Produto e Dados com bootcamps imersivos, práticos e de curta duração com facilitadores das principais startups do Brasil e do mundo. How. Skills, not degrees.
15%OFF código:
DESIGN2021

Explore outros temas

Receita de UX Designer

Leandro Rezende
Leandro Rezende

Como quase ter virado um Product Manager me fez ser um Product Designer melhor

Filipe Bitencourt
Filipe Bitencourt

As pegadinhas do nosso cérebro

Renata Carriel
Renata Carriel

É responsabilidade de quem?

Vinícius Gomes
Vinícius Gomes

Precisamos falar sobre saúde mental em design

Marianna Piacesi
Marianna Piacesi

Vamos parar de falar em Produto e vamos falar em Design de Serviço?

Erico Fileno
Erico Fileno

O Design e os trem por trás das coisa: Soft Skills, Multipotenciais e Polímatas

Brunão
Brunão

Cultura de UX sob aspecto da linguagem

Melina Alves
Melina Alves

Design como fator de mudança para processos, cultura e maturidade nas empresas

Bruce Namatame
Bruce Namatame

Uma nova visão holística do design

Bel Araújo
Bel Araújo

"Fosse ou não à escola, eu estudava."

Ariana Dias Neves
Ariana Dias Neves

UX Design não é modinha, é negócio

Luan Mateus
Luan Mateus

Design do Amanhã

Natalí Garcia
Natalí Garcia

Experiência do Usuário Surdo

Beatriz Lonskis
Beatriz Lonskis

UX e o Amanhã da Profissão

Amyris Fernandez
Amyris Fernandez

Design como ferramenta para um mundo melhor

Camila Moletta
Camila Moletta

Voltando às raízes para um design acessível

Maju Santos
Maju Santos

Co-design: Não é só sobre Design

Wander Vieira
Wander Vieira

Confissões de um designer apaixonado

Jane Vita
Jane Vita

Desobediências conceituais no Design

Andrei Gurgel
Andrei Gurgel

Design Ético: como nós, pessoas que consomem e desenvolvem, podemos atuar

Bianca Brancaleone
Bianca Brancaleone

O Designer é a Interface - Desafios do design e experiência do usuário em tempos de isolamento social

Ubiratan Silva
Ubiratan Silva

3 passos para mudança do mindset do time comercial

Rafael Xavier
Rafael Xavier

Fale com o seu ambiente e as novas experiências conversacionais

Caio Calado
Caio Calado

2021: um ano para recomeçar (?)

Koji Pereira
Koji Pereira

Design, um esporte coletivo e colaborativo

Beto Lima
Beto Lima

Design para um time

Thais Yabuuti
Thais Yabuuti

UX + LGPD. A privacidade do usuário na era dos dados

Hideki Katsumoto
Hideki Katsumoto

A visão de um designer que acredita na política do seu dia-a-dia aplicada a sociedade brasileira

Henrique Peixe
Henrique Peixe

Menos sobre nomenclaturas e mais foco no que precisa ser feito

Renan Manço
Renan Manço

Um convite para a auto-descoberta

Karen Tie
Karen Tie

Você já foi um designer iniciante, Design no interior e Michael Scott

Felipe Marinelli
Felipe Marinelli

Perspectivas visuais e um conceito social (talvez) necessário

Eduardo Arce
Eduardo Arce

Design realmente centrado no humano

Nina Telles
Nina Telles

Como vamos projetar serviços e produtos digitais na era da economia de vigilância?

Janayna Velozo
Janayna Velozo

Visualizando os dados da comunidade de UX no Brasil

Carolina Leslie
Carolina Leslie

Subiu, e agora? Como medir o sucesso e a performance do Design

Fernanda Magalhães
Fernanda Magalhães

Inovação em design organizacional: como ser prático na prática? 🚀

Eduardo Maia
Eduardo Maia

UX Writing: o desafio constante de aprender a se comunicar

Camila Gaidarji
Camila Gaidarji

Como construir maturidade de Design em empresas em transformação digital

Bianca Faraj
Bianca Faraj

UX Research na Era Inteligente

Gabriel Bastos
Gabriel Bastos

O papel do designer na desconstrução do ciclo da invisibilidade

Joyce Rocha
Joyce Rocha

Como você enxerga o Design?

Monica Barros
Monica Barros

Design ético em pauta

Lucas Cruz
Lucas Cruz

Reflexões sobre a Escuta no Design de Experiências

Denise Rocha
Denise Rocha

Design, liderança e ambientes seguros: reflexões e sugestões

Vinícius Vieira
Vinícius Vieira

O conceito equivocado de público-alvo que exclui pessoas

Talita Pagani
Talita Pagani

Preparando um time para o sucesso

David Pacheco
David Pacheco

Liderança em Design: 5 dicas para quem quer virar Líder de Design

Victor Zanini
Victor Zanini

Não coma o marshmallow

Camila Borja
Camila Borja

O Product Designer está fora de forma?

Marco Moreira
Marco Moreira

Métricas de UX: O que são, onde vivem e do que se alimentam?

Rafa Brandão
Rafa Brandão

Transição de carreira e diversidade

Liliane Oliveira
Liliane Oliveira

Design não é para todos, mas pode ser

Valéria Romano
Valéria Romano

E se a inovação pudesse ser guiada por processos de design mais colaborativos?

Larisa Paes de Lima
Larisa Paes de Lima

Por uma comunidade de design mais aberta e colaborativa

Karina Tronkos
Karina Tronkos

Líderes do presente

Juliana Marcenal
Juliana Marcenal

Multiculturalismo remoto

Tai Civita
Tai Civita

A inevitável mudança do Design no "pós-pandemia"

Thoz
Thoz

Uma carta para a Crítica

Vitor Amorim
Vitor Amorim

A Jornada do Mentor - Como se tornar um herói em UX

Sheylla Lima Souza
Sheylla Lima Souza

A motivação por trás de novos hábitos

Nathalia Cabral
Nathalia Cabral

O design pode mudar o mundo

Renato Paixão
Renato Paixão

ROI do Design e o Cafezinho

Felipe Melo Guimarães
Felipe Melo Guimarães

Design de experiência contra o racismo algorítmico

Polli Lopes
Polli Lopes

O designer nômade

Leo Ehrlich
Leo Ehrlich

Levei 8 anos para me definir como UX designer. E eu vou te contar como.

Lais Mastelari
Lais Mastelari

O futuro é plural

Paola Sales
Paola Sales

Design e cultura de experimentação

Leandro Lima
Leandro Lima

Liderança inclusiva, design e autoconhecimento

Thaly Sanches
Thaly Sanches

Design é uma conversa cultural

Julia Nascimento
Julia Nascimento

Aprendizados para 2021 sobre a acessibilidade digital em 2020

Liliane Claudia
Liliane Claudia

Vulnerabilidade e o primeiro passo contra a impostora

Tamy Lemos
Tamy Lemos

Você aprende aquilo com que se importa

Denise Pilar
Denise Pilar

A síndrome de impostor no design, o “outro” inatingível e ambientes tóxicos

Thomas Castro
Thomas Castro

O bom design durante os sintomas da pandemia

David Arty
David Arty

A crescente importância de tudo o que não sabemos

Bruno Canato
Bruno Canato

Como a escuta no Design vem se tornando uma aliada em uma sociedade mais inclusiva

Valéria Reis
Valéria Reis

Pensando design além da interface

Juliana Akemi Segawa Cangussu
Juliana Akemi Segawa Cangussu

A antiga, porém nova verdade sobre DesignOps

Guilherme Gonzalez
Guilherme Gonzalez

Designer é solucionador de problemas ou colonizador?

Fernando França
Fernando França

21 coisas que tem que acabar em UX design para 2021

Rafaela de Souza da Silva
Rafaela de Souza da Silva

Designer Sobrevivente

Humberto Matos Valério da Silva
Humberto Matos Valério da Silva

Se você quiser voar, precisa soltar o que te puxa para baixo

Tereza Alux
Tereza Alux

Na contemporaneidade, o que não é design?

Isadora Ribeiro dos Santos
Isadora Ribeiro dos Santos

Por que designers devem aprender No-Code em 2021?

Caio Calderari
Caio Calderari

Sou Designer, onde vou usar a fórmula de bháskara?

Rafael Miashiro
Rafael Miashiro

Como Designers estamos preparados para um mundo que precisa de regeneração?

Barbara Villar
Barbara Villar

POs e PMs e suas relações com acessibilidade

Livia Gabos
Livia Gabos

O Design no ano 21 do século 21: educação e trabalho pela cibercultura

André Grilo
André Grilo

A Maturidade do Designer UX

Ioná Dourado
Ioná Dourado

O design não vai salvar o mundo! Ou vai?

Bruna Castro
Bruna Castro

Sua experiência com o futuro do trabalho está diretamente relacionada a quanto você se conhece

Kpelo
Kpelo

Faça seu design orientado por dados

Mumtaz Mesania
Mumtaz Mesania

Finalmente uma descentralização geográfica do design brasileiro?

Larissa Trindade
Larissa Trindade

Empreender e pivotar na profissão designer

Marcelo Leal Felix
Marcelo Leal Felix

O que 2021 promete, além da vacina? Design Ops e Acessibilidade!

Paulo Aguilera Filho
Paulo Aguilera Filho

Designers will design

Juliana Morozowski
Juliana Morozowski

Liderança e Maternidade: Qualquer semelhança não é mera coincidência

Bruna Amancio
Bruna Amancio

Pare de seguir os velhos padrões visuais

Raniel Oliveira
Raniel Oliveira
não clique