Arquivo 2020

Multiculturalismo remoto

Tai Civita
Product Designer na Bananatag
Brasileira imigrante e a humana do Tofu 😺

Designer desde 2010, criando produtos desde 2014. Quando comecei a trabalhar com interfaces, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que design é pura exploração e iteração. E eu tento aplicar esses conceitos não só nos meus artboards, mas no meu trabalho como um todo.

Tai Civita
Escute este artigo

Descobertas e processos de uma designer em um time diverso.

Há alguns anos atrás, passei a morar e trabalhar fora do Brasil e desde então, tive a oportunidade de participar de equipes multiculturais. O multicultural aqui é meio diferente do que eu estava acostumada no Brasil: convivo com muitas pessoas que nasceram em países diversos, e vieram para cá depois de adultas. Elas tiveram outras criações, têm outro tipo de humor, outras referências culturais, outro idioma nativo.

E mesmo essas pessoas estando a milhares de quilômetros de distância de seus locais de origem, o design de interfaces em países com forte influência da cultura ocidental e eurocêntrica, é uniforme o suficiente para não passarmos aperto. Não é como se não entendêssemos símbolos semelhantes, ou mapas mentais fossem completos opostos (Se essa uniformidade toda é boa? Provavelmente não, e temos diversos textos sobre descolonização para aprender e pensar mais sobre isso).

Nos últimos meses a maioria de nós passou a trabalhar remotamente. Se por um lado, isso abre oportunidades para mais inclusão de pessoas de locais diversos em times de design, por outro a comunicação eficaz se torna ainda mais importante.

Com as novas possibilidades de trabalho remoto se tornando mais comuns, se você está interessado em participar de equipes internacionais e multiculturais, listei alguns itens que podem ser úteis. Eles são baseados na minha experiência como designer em empresas no Canadá:

Diferenças culturais

As maiores diferenças culturais que notei são em relação à:

  • Confiança em produtos digitais, que se reflete na diferença entre as quantidades de validações e senhas que temos em diversos sites.
  • Forma de administrar o dinheiro, que é perceptível em fluxos de pagamento e na forma como preços são colocados mais ou menos em evidência de acordo com a localidade.
  • Tom e voz das marcas, que pode ser mais ou menos bem-humorado e engajado com a cultura digital. Informal é um adjetivo que todo mundo gosta, mas o brasileiro parece ir além do informal, usando do humor também. Um item importante aqui é que, não é por você não ser nativo que o texto que você inclui nos designs não vai ser publicado. Muito pelo contrário: designers não nativos ainda têm a obrigação de entregar telas com textos claros, que podem ou não ser revisados por um especialista, dependendo do tamanho do time.

Quando se fala das dinâmicas nas equipes, diferenças nos processos incluem:

  • Mais verba para ferramentas
    Tanto para design de interfaces quanto para pesquisa. Se isso vai agilizar o trabalho e melhorar a produtividade, são altas as chances da verba ser liberada.
  • Prazos e planejamentos menos apertados
    Entregas impossíveis são bem menos comuns, e o que mais me surpreendeu foi a importância do tempo longe do trabalho na vida das pessoas. Deu 17h, é hora de parar, e ninguém no escritório está muito a fim de ficar além disso.
  • Mais documentação
    Será devido à distribuição de trabalho, que permite maior liberdade para usar o tempo de trabalho além da criação de interfaces?
  • Mais responsabilidade compartilhada
    Quando algo dá errado, há menos dedos apontados na direção de uma pessoa só, e mais foco em apoiar o time que precisa consertar o produto.
  • O peso da decisão de contratação
    Dispensas e demissões não são comuns como em outros lugares, também porque aqui o contratado é responsabilidade direta do gerente: quem está no time passou por sua avaliação e pelo seu crivo. É melhor tentar contornar a situação e guiar o colaborador do que dispensá-lo.

Trabalhando em equipe

Quando a pluralidade já é regra no time, corremos menos riscos de dar de cara com barreiras culturais. Se todo mundo está disposto a buscar entender que há jeitos diferentes de lidar com as coisas, é mais fácil de resolver conflitos antes mesmo deles começarem. E na hora de construir uma equipe alinhada, a cultura da empresa influencia muito, tanto na contratação quanto em como os processos diários se desenvolvem: quanto mais flexível e colaborativa, melhor. Alguns processos que têm funcionado para mim são:

  • Assumir sempre o melhor do outro
    Isso vai te dar mais disposição para resolver conflitos e manter a transparência sempre.
  • Confirme o que você ouviu com afirmações
    Próximo ao final de uma conversa ou reunião, sumarize os principais pontos em afirmações simples. Se algo não está claro, confirme o resultado da conversa antes de seguir para a próxima tarefa.
  • Documentação para consultar
    Essa é uma regra válida para qualquer time, mas ter as coisas por escrito com certeza vai te ajudar a manter o foco e o alinhamento entre todos.

Consolidando relações

  • Reuniões de atualização que vão além do Scrum: tenho sorte de trabalhar numa equipe onde os líderes se preocupam em fortalecer e manter o relacionamento entre as pessoas com comunicação constante sobre assuntos diversos. Alinhamento, aprendizado e rodadas de feedback têm reuniões dedicadas toda semana. Isso ajuda a alinhar estilos de trabalho entre os designers, facilita a comunicação e mantém relacionamentos estreitos no dia a dia. Para balancear a carga de reuniões, temos um dia dedicado ao trabalho focado, e algumas tardes e manhãs também.
  • Eventos para aproximar o time: trabalhar em equipe é mais legal quando você conhece um pouco dos outros além do trabalho. Para isso, não precisa haver uma reunião super elaborada, só preencher uma folha (ou um artboard) com coisas sobre você e compartilhar com os outros já funciona para se divertir e conhecer melhor as pessoas no time.
  • Ofereça referências visuais: especialmente quando não estamos trabalhando lado a lado, ter algo concreto pode ajudar muito a esclarecer diferenças.

Essas são só algumas práticas que me ajudaram até aqui, mas cada equipe é única, e o mais importante é manter a mente aberta para se adaptar o melhor possível a ambientes diferentes.

Como designers, refletimos bastante sobre a nossa profissão e como ela impacta o mundo, e acredito que cada vez mais a ética, a inclusão e a pluralidade estão saindo do campo das ideias e se transformando em ações concretas nos produtos digitais. Equipes com profissionais de origens diferentes tem todo o potencial para acelerar esse processo, incorporando valores, visuais e práticas regionais em espaços onde eles não estavam antes.

Independente de onde viemos, conhecer outros jeitos de fazer as coisas é sempre um aprendizado incrível.

Deploy.me
Desenvolva sua carreira em UX Design, Produto e Dados com bootcamps imersivos, práticos e de curta duração com facilitadores das principais startups do Brasil e do mundo. How. Skills, not degrees.
15%OFF código:
DESIGN2021

Explore outros temas

Como construir maturidade de Design em empresas em transformação digital

Bianca Faraj
Bianca Faraj

Design é uma conversa cultural

Julia Nascimento
Julia Nascimento

Design ético em pauta

Lucas Cruz
Lucas Cruz

A antiga, porém nova verdade sobre DesignOps

Guilherme Gonzalez
Guilherme Gonzalez

Uma carta para a Crítica

Vitor Amorim
Vitor Amorim

Como a escuta no Design vem se tornando uma aliada em uma sociedade mais inclusiva

Valéria Reis
Valéria Reis

UX Writing: o desafio constante de aprender a se comunicar

Camila Gaidarji
Camila Gaidarji

Menos sobre nomenclaturas e mais foco no que precisa ser feito

Renan Manço
Renan Manço

O Design no ano 21 do século 21: educação e trabalho pela cibercultura

André Grilo
André Grilo

Fale com o seu ambiente e as novas experiências conversacionais

Caio Calado
Caio Calado

Você aprende aquilo com que se importa

Denise Pilar
Denise Pilar

O design pode mudar o mundo

Renato Paixão
Renato Paixão

Inovação em design organizacional: como ser prático na prática? 🚀

Eduardo Maia
Eduardo Maia

Voltando às raízes para um design acessível

Maju Santos
Maju Santos

Design realmente centrado no humano

Nina Telles
Nina Telles

A crescente importância de tudo o que não sabemos

Bruno Canato
Bruno Canato

21 coisas que tem que acabar em UX design para 2021

Rafaela de Souza da Silva
Rafaela de Souza da Silva

Experiência do Usuário Surdo

Beatriz Lonskis
Beatriz Lonskis

Receita de UX Designer

Leandro Rezende
Leandro Rezende

Aprendizados para 2021 sobre a acessibilidade digital em 2020

Liliane Claudia
Liliane Claudia

"Fosse ou não à escola, eu estudava."

Ariana Dias Neves
Ariana Dias Neves

Liderança em Design: 5 dicas para quem quer virar Líder de Design

Victor Zanini
Victor Zanini

Cultura de UX sob aspecto da linguagem

Melina Alves
Melina Alves

Design não é para todos, mas pode ser

Valéria Romano
Valéria Romano

Como vamos projetar serviços e produtos digitais na era da economia de vigilância?

Janayna Velozo
Janayna Velozo

O que 2021 promete, além da vacina? Design Ops e Acessibilidade!

Paulo Aguilera Filho
Paulo Aguilera Filho

Precisamos falar sobre saúde mental em design

Marianna Piacesi
Marianna Piacesi

O designer nômade

Leo Ehrlich
Leo Ehrlich

ROI do Design e o Cafezinho

Felipe Melo Guimarães
Felipe Melo Guimarães

A síndrome de impostor no design, o “outro” inatingível e ambientes tóxicos

Thomas Castro
Thomas Castro

Por uma comunidade de design mais aberta e colaborativa

Karina Tronkos
Karina Tronkos

Visualizando os dados da comunidade de UX no Brasil

Carolina Leslie
Carolina Leslie

Como quase ter virado um Product Manager me fez ser um Product Designer melhor

Filipe Bitencourt
Filipe Bitencourt

Pensando design além da interface

Juliana Akemi Segawa Cangussu
Juliana Akemi Segawa Cangussu

O futuro é plural

Paola Sales
Paola Sales

Design do Amanhã

Natalí Garcia
Natalí Garcia

A inevitável mudança do Design no "pós-pandemia"

Thoz
Thoz

UX Design não é modinha, é negócio

Luan Mateus
Luan Mateus

Sua experiência com o futuro do trabalho está diretamente relacionada a quanto você se conhece

Kpelo
Kpelo

Design, liderança e ambientes seguros: reflexões e sugestões

Vinícius Vieira
Vinícius Vieira

POs e PMs e suas relações com acessibilidade

Livia Gabos
Livia Gabos

Subiu, e agora? Como medir o sucesso e a performance do Design

Fernanda Magalhães
Fernanda Magalhães

Design como ferramenta para um mundo melhor

Camila Moletta
Camila Moletta

Reflexões sobre a Escuta no Design de Experiências

Denise Rocha
Denise Rocha

A Maturidade do Designer UX

Ioná Dourado
Ioná Dourado

UX + LGPD. A privacidade do usuário na era dos dados

Hideki Katsumoto
Hideki Katsumoto

E se a inovação pudesse ser guiada por processos de design mais colaborativos?

Larisa Paes de Lima
Larisa Paes de Lima

Design para um time

Thais Yabuuti
Thais Yabuuti

O design não vai salvar o mundo! Ou vai?

Bruna Castro
Bruna Castro

Como Designers estamos preparados para um mundo que precisa de regeneração?

Barbara Villar
Barbara Villar

Empreender e pivotar na profissão designer

Marcelo Leal Felix
Marcelo Leal Felix

O bom design durante os sintomas da pandemia

David Arty
David Arty

Pare de seguir os velhos padrões visuais

Raniel Oliveira
Raniel Oliveira

Design Ético: como nós, pessoas que consomem e desenvolvem, podemos atuar

Bianca Brancaleone
Bianca Brancaleone

Design, um esporte coletivo e colaborativo

Beto Lima
Beto Lima

Não coma o marshmallow

Camila Borja
Camila Borja

Confissões de um designer apaixonado

Jane Vita
Jane Vita

3 passos para mudança do mindset do time comercial

Rafael Xavier
Rafael Xavier

Preparando um time para o sucesso

David Pacheco
David Pacheco

Design de experiência contra o racismo algorítmico

Polli Lopes
Polli Lopes

2021: um ano para recomeçar (?)

Koji Pereira
Koji Pereira

Desobediências conceituais no Design

Andrei Gurgel
Andrei Gurgel

UX e o Amanhã da Profissão

Amyris Fernandez
Amyris Fernandez

As pegadinhas do nosso cérebro

Renata Carriel
Renata Carriel

Finalmente uma descentralização geográfica do design brasileiro?

Larissa Trindade
Larissa Trindade

UI Designer? Deus me livre, mas quem me dera!

Adelmo Neto
Adelmo Neto

Designer Sobrevivente

Humberto Matos Valério da Silva
Humberto Matos Valério da Silva

O papel do designer na desconstrução do ciclo da invisibilidade

Joyce Rocha
Joyce Rocha

Designers will design

Juliana Morozowski
Juliana Morozowski

É responsabilidade de quem?

Vinícius Gomes
Vinícius Gomes

Vamos parar de falar em Produto e vamos falar em Design de Serviço?

Erico Fileno
Erico Fileno

Sou Designer, onde vou usar a fórmula de bháskara?

Rafael Miashiro
Rafael Miashiro

Que em 2021 tenhamos tempo, dinheiro e saúde para fazer a diferença

Thiago Hassu
Thiago Hassu

Co-design: Não é só sobre Design

Wander Vieira
Wander Vieira

UX Research na Era Inteligente

Gabriel Bastos
Gabriel Bastos

Design como fator de mudança para processos, cultura e maturidade nas empresas

Bruce Namatame
Bruce Namatame

Liderança inclusiva, design e autoconhecimento

Thaly Sanches
Thaly Sanches

A visão de um designer que acredita na política do seu dia-a-dia aplicada a sociedade brasileira

Henrique Peixe
Henrique Peixe

Designer Produteiro

Robson Ramos
Robson Ramos

Uma nova visão holística do design

Bel Araújo
Bel Araújo

Designer é solucionador de problemas ou colonizador?

Fernando França
Fernando França

O conceito equivocado de público-alvo que exclui pessoas

Talita Pagani
Talita Pagani

Você já foi um designer iniciante, Design no interior e Michael Scott

Felipe Marinelli
Felipe Marinelli

A Jornada do Mentor - Como se tornar um herói em UX

Sheylla Lima Souza
Sheylla Lima Souza

O Design e os trem por trás das coisa: Soft Skills, Multipotenciais e Polímatas

Brunão
Brunão

Vulnerabilidade e o primeiro passo contra a impostora

Tamy Lemos
Tamy Lemos

Um convite para a auto-descoberta

Karen Tie
Karen Tie

Métricas de UX: O que são, onde vivem e do que se alimentam?

Rafa Brandão
Rafa Brandão

O Designer é a Interface - Desafios do design e experiência do usuário em tempos de isolamento social

Ubiratan Silva
Ubiratan Silva

Transição de carreira e diversidade

Liliane Oliveira
Liliane Oliveira

Design e cultura de experimentação

Leandro Lima
Leandro Lima

A motivação por trás de novos hábitos

Nathalia Cabral
Nathalia Cabral
não clique