Arquivo 2020

Design, um esporte coletivo e colaborativo

Beto Lima
Product Designer em Luizalabs
Pai apaixonado, atleta de final de semana, biker, São Paulino, negro

Olá. Sou Beto Lima, designer de produto, atualmente trabalhando no Luizalabs, área de tecnologia e design do Magazine Luiza. Pai da Gabriela e da Alice. Formado em design digital, são mais de 20 anos trabalhando em agências de publicidade, startup e grandes empresas como iFood, 99, Banco Original e Youse.

Beto Lima
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Os times de design estão crescendo cada vez mais. É bem comum encontrar times com cerca de 20, 30 e dependendo do tamanho da empresa com até 100 designers. Esses times na maioria das vezes atuam em diferentes áreas do design: product designers, visual designers, ux writers, researchers, por exemplo. 

Isso mostra que, cada vez mais, as empresas estão reconhecendo o real valor do design e da sua importância dentro do processo de desenvolvimento do produto fazendo com que se invista mais e mais.

Segundo pesquisas realizadas em 2017 a proporção de designers passou de 1 designer para 25 devs em 2012, de 1 designer para 8 devs em 2018 na IBM por exemplo. Esse movimento foi repetido por outras gigantes da tecnologia.

Com todo esse crescimento, um ponto muito importante a se analisar é a conexão, comunicação e alinhamento não só dentro da equipe de design (chapter), mas com outras áreas também.

Gosto muito de futebol e, muitas vezes, as analogias entre design e futebol são inevitáveis.

Vamos imaginar a seguinte situação: será que um time com 11 Cristiano Ronaldos daria certo? Quem teria a função defensiva? Todo mundo se mandaria pro ataque? Mesmo se tratando de um jogador fantástico, será que a estratégia funcionaria? 

Seleção de futebol só com Cristiano Ronaldos - Será que esse time daria certo?

Esse exemplo ilustra o quanto é importante ter dentro de um time pessoas com diversas habilidades e perfis. No caso do futebol você precisa ter cada jogador na sua posição e cumprindo uma função tática específica, mesmo sabendo da importância das características individuais de cada um e suas habilidades. Um chuta melhor com a perna esquerda, outro cabeceira melhor, cobrança de faltas e até a liderança dentro de campo.

Nos times de design isso não é diferente. É importante ter dentro do time tanto designers jovens com “sangue no olho” e uma vontade muito grande de fazer acontecer quanto a experiência de quem já está há bastante tempo no mercado. 

Muitas vezes essa mistura se torna bem difícil de ser encontrada e as contratações se concentram sempre no mesmo tipo de perfil, deixando de lado os diferentes níveis de designer (Júnior, Pleno, Sênior e Especialista), gênero, raça, PCDs, classe social e localidade, por exemplo.Times de futebol só com jogadores em fim de carreira com certeza não vão a lugar algum, assim como times profissionais formados só por jovens “da base”.

Talento individual é super importante. Pessoas talentosas fazem com que a “barra suba”, e seja um ponto de referência para o time. Mesmo assim, um camisa 10 não entra em campo sozinho.

Carrossel holandes na copa de 74 - Trabalho tático coletivo que mudou a visão do futebol

Quanto mais diverso, inter e multidisciplinar for um time, maiores as chances de se criar um produto diferenciado. A diversidade traz diferentes pontos de vista, que estão ligados à experiência de vida de cada um.

Mas mesmo com times diversos, os processos de cerimônias devem ser aplicados.
A troca de conhecimento deve ser constante.

Não podemos deixar que o dia a dia do produto nos afogue, fazendo com que seja quase impossível olhar para o lado. Design Critiques, Reviews, Design day, PKs, Syncs, Retros, todo e qualquer momento de reunião é muito importante para integrar, ouvir diferentes pontos de vista, medir a saúde do time e às vezes aquela lavação de roupa suja vai muito bem também. Essas dinâmicas ajudam no entrosamento e aos poucos vão criando uma sensação de tocar a bola pro companheiro ou companheira sem nem precisar olhar.

Seleção do Brasil de 1970. Ataque Com 5 Camisas 10 nos seus clubes, mas na seleção o coletivo falou mais alto

O espírito colaborativo muitas vezes esbarra no ego e na dificuldade de desapegar de algumas convicções em prol do coletivo. Por isso que às vezes é tão difícil manter processos de troca dentro dos times. E isso não só dentro dos times de design, mas também com produto e tecnologia. 

Em algumas situações é importante pensar no bem maior do produto, de maneira mais ampla. Isso acontece principalmente quando o assunto é consistência ou manter a mesma linguagem em produtos com participação de diferentes designers no mesmo produto. 

Pegando a temática do futebol, é muito importante você jogar bem no seu clube (sua squad), mas em determinado momento você tem que jogar pela seleção (a empresa) e abrir mão de algumas “manias” em prol de algo maior, pensando no produto e sua conexão como um todo para desenvolver uma experiência única e consistente.

Nós, designers, temos que ser o ponto de partida dessas questões ligadas à diversidade e processos. Questionar sobre os processos de contratação, o perfil, contribuir em todas as etapas para que se desenvolva uma cultura cada vez mais diversa e colaborativa. 

Devemos sempre analisar os processos e também ter uma visão bem ampla de todo time, considerando os diferentes perfis e os pontos que mencionei anteriormente. Devemos sempre questionar se existe uma maneira melhor e mais eficaz de fazer. Propor processos e “rituais” de colaboração não só entre designers, mas em toda a empresa.

Apesar de ser do basquete, Michael Jordan, três vezes campeão com o Chicago Bulls, tem um frase muito emblemática em que fala que "O talento vence jogos, mas só com o trabalho em equipe você ganha campeonatos”. Você pode fazer um trabalho brilhante ali no seu mundo com os fones de ouvido ligados, mas se não compartilhar, buscar outras opiniões e entender o que está acontecendo à sua volta, cedo ou tarde, você corre o risco de não se desenvolver profissionalmente e de ter um produto totalmente enviesado. 

Acredito muito na importância da colaboração e o alinhamento entre times e que esses fatores são fundamentais para formar times e empresas campeãs.

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