Arquivo 2020

Design ético em pauta

Lucas Cruz
Sr. Product Designer na XP Inc.
Curioso, dedicado e intenso

Lucas é um designer de produtos com especialidade em visual, tem passagens por empresas como Reclame Aqui, C6 Bank e atualmente XP Inc. Apaixonado por viagens, esportes e encontrar os amigos para falar de coisas aleatórias.

Lucas Cruz
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Diante do emaranhado de cursos e ensinamentos, comecei a notar a necessidade de cada vez mais entender as pessoas para manipulá-las, seja evitando ela de cometer erros ou usando dark patterns.

Antes de começar esta leitura, quero garantir que todos nós estamos na mesma página no significado de ética.

Ética é o estudo do conjunto de valores morais de um grupo ou indivíduo. A palavra "ética" vem do grego ethos e significa caráter. — Adaptado da Wikipédia

Trazendo pra disciplina de design, podemos afirmar que fazer design ético, é por em pauta os valores das respectivas organizações para construção das hipóteses de design, levando em consideração essencialmente as pessoas que se beneficiarão destas soluções. Embora não existam processos ou métodos comprovados, fazer design ético está muito mais relacionado com os valores das empresas do que necessariamente um princípio.

Ilustração: Murat Kalkavan — Ouch

Quando faço uma leitura do meu histórico da minha experiência como designer, compreendendo minha função como profissional que se propõe a solucionar problemas de um nicho de pessoas, e que consequentemente empresas vão se beneficiar destas soluções, começo a me recordar dos ensinamentos acerca dos muitos artigos, vídeos, palestras e/ou conversas de corredor do tipo: "como manteremos as pessoas cada vez mais engajadas?", "como evitamos elas de cancelar/excluir algo que irá afetar nossa receita?", ou melhor, "como garantirmos a felicidade das pessoas diante do nosso produto?"

Diante do emaranhado de cursos e ensinamentos, comecei a notar a necessidade de cada vez mais entender as pessoas para manipulá-las, seja evitando ela de cometer erros ou usando dark patterns forçando uma ação inconsciente não necessariamente desejada pela pessoa (ou popularmente conhecida como usuário).

Ilustração: Murat Kalkavan — Ouch

Nossos usuários

E sobre esta palavra (usuário) reflito. Apesar da definição ser aquele que desfruta de suas utilidades, de forma pejorativa lembramos de duas representações: o usuário do meu app ou o usuário de drogas. Ambas comparações por teoria são diferentes, mas a prática alinhada ao tempo estão provando o contrário. Hoje, estamos nos referindo as pessoas que usam nossas soluções da mesma forma que alguém depende de algo de forma a ter danos psíquicos ou físicos. Refletindo um pouco mais questiono: estamos construindo soluções que viciam ou de fato auxiliam?

Ilustração: Murat Kalkavan — Ouch

Em 2016 uma pesquisa realizada com 254 alunos na universidade McMaster notou que 42% dos entrevistados enfrentaram problemas de saúde mental e 48% do todo disseram não ter controle sobre o uso das redes sociais. Ou seja, ao invés de estar criando laços entre pessoas, estamos criando meios de manter todos conectados porém num outro mundo, o virtual.

Um dos artifícios mais geniais inventados até então, porém não usado de uma maneira saudável, o scroll infinito criado pelo designer Aza Raskin trás a necessidade de sempre estar consumindo informação, sempre há um post novo, uma oferta de publicidade diferente e acabamos entrando num look de horas fazendo o movimento repetitivo de scroll. Hoje o designer se desculpa pela sua invenção pois reconhece o mau uso, por isso fundou o Centro para Tecnologia Humana (humanetech.com) onde tenta cada vez mais alertar sobre os lados sombrios da tecnologia mau construída.

Um estudo feito pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health revelou que 70% dos 1500 jovens entrevistados revelaram que o Instagram fez com que eles se sentissem pior em relação à própria autoimagem e, quando a fatia analisada são as meninas, esse número sobe para 90%. Após a retirada dos likes, a plataforma se posicionou dizendo que não estão construindo uma comunidade de competidores, mas de contadores de história, e sobre este fato, número de likes já não fazem mais sentido.

Ilustração: Murat Kalkavan — Ouch

Empatia, um caminho para boas soluções

É bem comum em vagas de emprego a seguinte atribuição: ser empático. Embora um produto tem uma única persona, ela ainda não reflete 100% das pessoas. Dessa forma, exercer empatia vai além de me posicionar no lugar do outro e aplicar teorias sobre mim mesmo, um ser dotado de opiniões e conhecimentos que talvez não seja o mesmo da persona, ou ainda não reflita o pensamento comum.

Através disso, vejo uma oportunidade do exercício da empatia na aplicação da ética, uma vez que ela se aplica a mim devo me perguntar se a solução de design coincide com a experiência esperada pelas minhas hipóteses, mas mesmo neste exercício não há garantias de sucesso ou efetividade das soluções, por quê? Porque somos seres diferentes, embora agrupados por semelhanças de comportamento e características numa planilha do Excel, ainda somos diferentes.

O manifesto de Aral Balkan

Assim como não há efetividade nas minhas hipóteses de design, não há processo que garanta eu estar sendo ético. Fazer design ético é se comprometer com os princípios da empresa, mais conhecido como valores. Ou seja, se por essência você trabalha numa empresa de valores cujo as pessoas têm voz, então uma vez que você for se posicionar como designer na proposta de construir soluções saudáveis às pessoas, de fato você estará fazendo design ético, desde que respeite os valores.

Mas se eu puder dar uma direção mais clara, olharia para os estudos que Aral Balkan vem fazendo, ele construiu um manifesto (clique aqui para ver) onde define numa pirâmide de Maslow três aspectos fundamentais para construir soluções éticas que geram uma boa experiência, são estes os pilares: respeito aos direitos humanos, esforço humano e experiência humana.

Direitos humanos: Que respeita e protege suas liberdades civis, reduz desigualdade e beneficia a democracia.

Esforço humano: É atencioso, não arrogante ou exigente. Ele entende que você pode estar distraído ou com deficiências físicas. Respeita o tempo limitado que você tem neste planeta.

Experiência humana: Simplesmente funciona. É intuitivo. É invisível. Ele passa para o segundo plano de sua vida. Isso te dá alegria. Ele te dá superpoderes. Isso coloca um sorriso em seu rosto e torna sua vida melhor.

Ilustração: Murat Kalkavan — Ouch

Somos a voz das pessoas

Hoje é muito comum você pesquisar por "ux" e receber milhares de links direcionando para metodologias, ferramentas, dicas e mais um acervo de conteúdos relacionados a prática do design, e para mim, isso perde um pouco do significado a partir do momento que consumo somente este tipo de material e deixo de me preocupar em conhecer as relações sociais, conexões humanas, comportamentos e como tudo isso se encaixa de forma a agregar valor tanto para as pessoas quanto para as empresas.

Assim como grandes empresas já começaram a se movimentar em cuidar mais das pessoas, vide ação do Instagram em retirar os likes, por exemplo. Para 2021 em diante vejo a comunidade de design e tech fomentarem ainda mais discussões sobre ética e o real impacto causado na vida humana. Maneiras de guardar a vida do indivíduo de modo que seja plena, segura e rentável para quem fornece aquele produto.

Se design se dispõe a resolver problemas, minimamente eu como designer preciso entender bem quatro pilares fundamentais: tecnologia, negócio, design e pessoas. É importante entender minimamente de tecnologia pra saber se comunicar com um engenheiro ou reconhecer os limites diante da solução de design. Entender de negócios porque além de designer, você é um executivo, suas ideias poderão fazer a empresa crescer ou não, ser bem ou mau. Design será o meio que você unirá todas estas pontas e através desta ferramenta você gerará valor no meio que está inserido. E finalizando, temos as pessoas, sem elas não tem receita.

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