Arquivo 2020

Design é uma conversa cultural

Julia Nascimento
Ux e Ui Designer no Millennium Bcp e Spark 2D
Incomodada, curiosa, impetuosa, desajeitada, bagunceira

Ux Designer com 10 anos trabalhando em marketing e design digital, criando produtos e experiências para indústrias automotivas, têxteis e de software no Brasil, Egito e Portugal. Tenho participado em parceria com outros designers ux na curadoria e compartilhamento de conhecimento em design com a comunidade.

Julia Nascimento
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Os designers estão cada vez mais espalhados pelo globo, e as percepções de design são bem diferentes em cada lugar. Em uma pesquisa que fiz sobre Carreira internacioal em UX, a maior parte dos Ux designers no Brasil querem ganhar experiência para conseguir sair do país. 

Um dos principais destinos é Portugal e tenho conversado com Ux designers brasileiros por aqui pra entender qual é o sentimento sobre o mercado de Ux Português.

Design é uma conversa cultural

Ao mudar para um novo país você pode se deparar com um design que não conversa com você. O design local fala com as pessoas locais. A linguagem, as formas, o conteúdo. E nós designers devemos produzir soluções pra pessoas daquele país ou de outros países. O seu design deve conversar com elas. E isso pode ser um desafio. 

O Brasil tem muita diversidade cultural, o que nos permite experimentar e aprender sobre essas mudanças em um contexto interiorizado através da convivência e observação dos comportamentos dos utilizadores num ecossistema em que estamos “ligados” 24/7 a qualquer ponto do planeta. Isso é uma vantagem que é muito valorizada aqui. 

Tenho visto um grande crescimento na Área de UX Design em Portugal com relação á quando cheguei aqui e buscado entender o cenário através do contato com diversos brasileiros que estão trabalhado por essas terras lusitanas. A sensação é que o mercado tem sido impulsionado de maneira frenética. Os cargos ganham novos nomes e importa muito conteúdo de fora.

O conteúdo em inglês impera

Me surprendi ao perceber que apesar de ser um país de língua portuguesa, a maior parte do conteúdo consumido e produzido é em inglês. As empresas aqui por conta da diversidade cultural e clientes internacionais, operam seus times em inglês. 

As pessoas na qual os UX Designers daqui se inspiram, se comunicam e produzem conteúdo em inglês e tem como base o conteúdo produzido na Inglaterra. É um pouco difícil pra mim imaginar um evento de UX Design todos em inglês no Brasil. Aqui o inglês é o padrão.

As consultorias dominam

As vagas de UX Design aqui são preenchidas em suas maiorias através de consultorias especializadas em experiência do usuário. Elas contratam UX e UI Designers pra seus times ou diretamente para projetos de clientes, onde o designer se junta á times de grandes empresas de Portugal. Muitos recrutadores e consultorias estão dispostos a trazer brasileiro para trabalhar aqui.

Os eventos e criadores de conteúdo existem mas de formas diferentes!

Se no Brasil a cada 10 posts no seu feed do Instagram 9 são de UX designers que criam conteúdos fofinhos, aqui isso não é tão comum assim. Os artigos no Medium são mais populares e comunidades fechadas de especialistas mais frequentes. 

"Aqui os designers não encontram uma comunidade tão enfática como no Brasil" diz um dos designers brasileiros na Farfetch. — "Lá a cultura de troca é muito enraizada."

Os eventos estão começando a deslanchar online. No final do ano  acompanhei novos eventos serem criados e comunidades sendo formadas. Antes da pandemia havia uma presença mais poderosa, com várias palestras e eventos que reunia um grande público em Lisboa e Porto. A grande movimentação normalmente gira em torno da IxDA e EDIT com pessoas altamente especializadas. Um blog muito legal pra acompanhar é o uiux.pt com diversas entrevistas com designers portugueses e artigos sobre área.

No começo do ano fiz um post no Linkedin sobre as pessoas do UX para acompanhar em Portugal que me rendeu bons nomes.

O Design não é tão exibicionista

Eu vi num posts que as melhores conversas não são televisionadas. E eu penso que aqui também as pessoas levam isso mais á sério. Elas são muito mais reservadas e não se reúnem tanto. Os designers daqui são incrivelmente bons mas não procuram tanto os holofotes como no Brasil. 

Muito parecido com os americanos, o brasileiro gosta de se conectar e aparecer, o que não é uma coisa ruim.

A comunidade de design está a crescer aqui e é lindo ver isso acontecendo diante dos meus olhos e ver que também faço parte disso, mas para achar essas comunidades e pessoas é preciso quase catar na unha. Para entrar na comunidade Friends of Figma Portugal, por exemplo, procurei um dos organizadores pelo Twitter, que é uma rede muito forte aqui.

Experiência mais acadêmica vs experimental

Embora a pesquisa acadêmica seja mais difundida no Brasil, aqui a academia é muito valorizada. Isso acontece bastante por toda a Europa. Dá um certo ar de gente grande, com um valor muito maior para as empresas. Embora tenha ouvido colegas reclamarem da grade engessada e tradicional, muitas vezes ultrapassada e com pouca pesquisa experimental ainda é a melhor forma de fazer conexões por aqui.

Design mais artístico

O design aqui tem um pé a mais no artístico e talvez menos no estratégico, deixando os designers um pouco mais tímidos para falar com Product Managers e engenheiros, e mais distantes de ferramentas de inteligência de negócio com BI e métricas de Design. Talvez uma herança do Design Gráfico acadêmico e agências de design de onde boa parte desses profissionais vem.

A maturidade da área de UX está em uma bolha

Em Portugal, o ensino centrado no utilizador não é novo e tem vindo a evoluir, mas ainda está a dar os primeiros passos. Muitas empresas ainda veem o UX e UI designer como um webdesigner que desenha e desenvolve. Pode ser visto em boa parte das vagas, exigências como javascript, htm e css.

Nas universidades algumas disciplinas ainda aplicam aula de UI design usando o photoshop. A sensação é que o Brasil está bem mais à frente ao nível de ferramentas, metodologias e colaboração.

Porém a coisa muda totalmente de figura quando se fala de empresas maiores. Empresas como Farfetch, Millenium, OutSystems, TAP, entre outras estão muito a frente com cargos de UX muito bem definidos, contando com grandes equipes formadas por especialistas de vários países e com uma cultura de design forte. Talvez abrir mais os portões e compartilhar conteúdo de uma forma menos burocrática ajude a dissolver essa bolha e o brasileiros já perceberam isso.

Generalista vs Especialistas 

Algo interessante é que aqui os UX Designers ainda atuam em tipos de funções bem mais vastas enquanto em outros países como Reino Unido, por exemplo a especialização fala mais alto há bem mais tempo. Por exemplo é mais comum ter pessoas especializadas em Research, outras só em interação e motion. Outro ponto é que as empresas tendem a contratar pessoas que seguem uma linha de área de atuação e não pulam tanto entre áreas distintas.

Sobre o que estão falando sobre futuro do UX Design por aqui…

O mercado está de olho na visualização de dados

Data visualization é um termo frequente nas conversas e artigos. Sabendo que a experiência está associada à sua utilização, ao contexto do problema-espaço onde será utilizado, os dados entram com papel importante como ferramenta para entender o contexto de forma quase cirúrgica.

Mais designers de negócios

Hoje a área de UX Design por aqui ainda é muito matricial, focada em entregas pra garantir as próximas etapas. Porém, vejo uma tendência em focar no negócio e na parte mais estratégica do design, e por conta disso, menos na fidelidade visual. A ideia é que em breve nem seremos mais chamados de UX Designers. Todos estarão focados em desenhar uma experiência melhor para os usuários; programadores, redatores, UX researchers, designers visuais, da forma mais colaborativa possível. Então imagino que o cargo de UX não será mais necessário e se tornará talvez um departamento. 

O produto reflete muito do que a empresa é. Então haverão muito designers de negócios. O nosso papel como designer será muito mais o de buscar clareza do que de executar processos pré-definidos.

UX Designers precisam explorar mais formas da experiência ser representeada, além da interface.

Imagino que isto será uma evolução espontânea. Menos interface e melhor experiência. Os problemas cada vez mais complexos que enfrentamos como designers e cidadãos exigem uma abordagem mais cuidadosa e criativa.

Design é sobre comunidade

Cada vez mais pessoas estão a descobrir que design é sobre construir junto. É sobre comunidade. Espero que a nossa comunidade de Ux Designers brasileiros aqui consigam trazer esse olhar para as entranhas do mercado de UX Português. Afinal nós formamos uma bela dupla :)

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