Arquivo 2020

A antiga, porém nova verdade sobre DesignOps

Guilherme Gonzalez
Instrutor na DesignOps School
Gordo, sedentário, estrategista

Designer, Pesquisador, Lead, Instrutor e palestrante sobre DesignOps e ROI de UX, além de entusiasta da cultura de inovação no desenvolvimento de produtos e serviços digitais.

Guilherme Gonzalez
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Não é de hoje que venho falando que DesignOps ou qualquer outro nome que você gostaria de chamar, como program management ou design management não só é imprescindível para a evolução do nosso mercado, para levantar a tal da régua de qualidade, mas é uma coisa bem mais antiga que o próprio design como conhecemos hoje. E para 2021 e o futuro, será ainda mais imprescindível que entendamos como isso se reflete no nosso dia a dia.

Mas como assim? Um termo de 2017 é mais antigo que o próprio design? Sim, e eu vou te explicar aqui o por quê. Primeiro vamos analisar o nome. DesignOps ou Operações de Design (Design Operations do inglês) é relacionado ao design, mas o que significa Operações?

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Não, não são operações matemáticas como o Google nos sugere na primeira busca, mas sim sobre Operações Corporativas.

O que é uma Operação Corporativa?

É por definição a combinação de todas as ações técnicas e administrativas destinadas a permitir que um item cumpra uma função requerida, reconhecendo-se a necessidade de adaptação na ocorrência de mudanças nas condições externas. Ou seja, é garantir, por todos os meios possíveis, que estamos realizando uma gestão de qualidade sobre os processos e resultados obtidos nas rotinas diárias da empresa.

Mas o que é Gestão de Qualidade?

A gestão da qualidade é uma ferramenta estratégica que promove uma visão sistêmica de toda empresa e está alinhada a conceitos e práticas reconhecidos mundialmente. É uma ação voltada para dirigir e controlar todos os processos organizacionais.

A preocupação com a qualidade de bens e serviços como a conhecemos hoje surgiu na década de 20 com o estatístico norte-americano Walter Andrew Shewhart, que desenvolveu um sistema para mensurar as variabilidades encontradas na produção de bens e serviços.

Esse sistema ficou conhecido como Controle Estatístico de Processo (CEP). Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, os EUA incentivaram a utilização do CEP pelos seus fornecedores de produtos bélicos do exército, ajudando a disseminar os novos métodos de controle de qualidade no mundo. Posteriormente, Shewhart também desenvolveu um método essencial da gestão da qualidade, amplamente utilizado até os dias atuais, o ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Action).

Contudo, com o final da guerra, foi a vez do Japão investir em gestão de qualidade para iniciar um processo de reconstrução por meio de suas indústrias. Onde por volta de 53, o engenheiro japonês Taiichi Ohno, onde impulsionado pela necessidade de reduzir o desperdício, devido a falta de matéria prima, Ohno teve a idéia, que se concretizou no Sistema Puxado, em que o cliente pegava o produto e o estoquista fazia a reposição. Desta forma, não haveria a necessidade de grandes estoques, evitando o desperdício e a produção em massa. Isso deu origem as práticas conhecidas como o Método Kanban, além de inspirar muitas outras.

Mas onde entra o design nisso tudo?

A gestão de qualidade deveria ser uma preocupação constante, não importa em qual área trabalhemos, seja na gestão de produtos, desenvolvimento, design, jurídico, vendas etc, pois é praticando os princípios da gestão de qualidade, que podemos garantir que mesmo nos processos mais complexos, nosso trabalho flua e entregue algo de forma concreta e inquestionável, ainda mais em períodos de incerteza, como os tempos atuais, darmos valor para os processos, seguí-los de forma clara e prática, vai ser um diferencial. Pois no design isso não é diferente, para entender melhor o que estou querendo, deixe-me introduzir os princípios da gestão de qualidade, com uma abordagem com foco em design:

1º Princípio: Foco no cliente

As organizações devem atender as necessidades atuais e futuras de seus clientes, procurando exceder suas expectativas. Deve-se entender todas as necessidades e expectativas dos clientes em relação ao preço, produto, prazo de entrega, confiabilidade, desejabilidade etc.

No design: O que é o design sem falar com o cliente? Mas com esse princípio, precisamos garantir que estamos realmente traduzindo as suas necessidades e transpondo elas para o produto ou serviço que projetamos.

2º Princípio: Liderança

O líder tem a missão de estabelecer e comunicar onde a organização pretende chegar através da formulação de estratégias e políticas que traduzem a visão e as metas da organização, delegando poder e envolvendo as pessoas através da motivação e capacitação, para que as metas sejam alcançadas.

No design: Líderes de design, precisam ser gestores de pessoas, aplicar o design com foco no ser humano, diretamente com seus liderados e pares, valorizando seu trabalho, delegando o poder e o envolvimento das pessoas para alcance dos objetivos organizacionais.

3º Princípio: Envolvimento das pessoas

Pessoas representam a essência da organização e suas habilidades deverão ser usadas em benefício dela mesma, através de seu total envolvimento com as tomadas de decisões e com os processos de melhoria.

No design: Chega de topdown, precisamos envolver pessoas nas decisões, estratégicas ou não, envolver as pessoas nas decisões, aumenta a confiança do colaborador na empresa, torna seu trabalho mais agradável e objetivo, pois ele sente que contribui efetivamente, mais do que apenas executar o que lhe é pedido.

4º Princípio: Abordagem de processo

Gerenciar os processos de forma eficiente, trará benefícios para a organização, mas para isso deverão ser muito bem definidos, através do controle de suas entradas e saídas, sua interação com os outros departamentos da organização, definindo claramente os responsáveis pelos processos e levando-se em conta tanto o cliente interno como o externo, fornecedores e outras partes interessadas no processo.

No design: Design tem se tornado cada vez mais complexo, com subáreas se destacando, como conteúdo, pesquisa, user interface, motion design e se relacionando cada vez mais com outras áreas da companhia, como branding, jurídico, vendas, SAC etc. Por tanto, vamos obter resultados mais precisos e com menos desgaste dos recursos, escalando processos ao invés de pessoas, pois é importante que dentro dos processos, usemos mais a gestão dos recursos humanos, que precisa apresentar um sistema eficaz de contratação, educação e treinamento das pessoas, levando-se em conta as necessidades da organização, o que gerará uma força de trabalho mais comprometida e eficiente.

5º Princípio: Abordagem sistêmica para a gestão

Sabemos que os processos interagem entre si, o que gera o resultado do sistema como um todo. Portanto, os processos inter-relacionados deverão ser identificados e gerenciados como um sistema, portanto a abordagem desse sistema irá criar planos desafiadores que alinham objetivos e metas individuais aos objetivos globais da organização, permitindo uma melhor visão da eficácia dos processos, através do entendimento das causas dos problemas encontrados, o que gerará ações de melhoria, além de reduzir as barreiras funcionais e melhorar o trabalho em equipe.

No design: Abordar o design como um sistema irá possibilitar um mundo de melhorias, conectando processos através do próprio design, invés de tentar apenas encaixar processos de design, onde não há.

6º Princípio:  Melhoria contínua

Um dos benefícios da melhoria contínua é a criação do planejamento, tanto estratégico como dos negócios, adequando os objetivos de melhoria com os recursos para alcançá-los, através do envolvimento e motivação das pessoas, o que fará com que a organização se torne mais competitiva e gere melhores resultados.

No design: Mais do que melhorar, é encontrar os momentos corretos de melhoria, alinhados a estratégia do produto ou serviço, por tanto, como designers temos uma importância enorme em auxiliar a tomada de decisões, sobre o que precisamos melhorar, e também sobre quais barreiras precisam ser quebradas, que possam impedir a melhoria.

7º Princípio:  Abordagem factual para a tomada de decisão

Baseia-se na análise de informações e dados antes de tomar qualquer decisão, tomando o cuidado de que sejam confiáveis e acessíveis, ou seja, de fácil entendimento, o que levará a tomada de decisão através da experiência e intuição.

No design: Trazermos uma abordagem pé no chão ao design e a gestão do design nunca foi tão importante, pois é fácil se deixar levar por desejos e desafios, realizando coisas que não trazem valor a empresa e se afastar das decisões factuais.

8º Princípio: Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores

A organização e o fornecedor precisam apresentar uma relação consistente de parceria, gerando desta forma a confiabilidade que um deverá ter no outro. 

No design: Talvez o princípio que mais parece distante do design, mas que se mudarmos a ótica da organização, para os parceiros diretos do designer, como gerentes de produto e desenvolvedores, é imprescindível que o relacionamento entre eles esteja funcionando de forma consistente e confiável, estabelecendo um comprometimento que se reflete na qualidade dos produtos e serviços projetados.

Estes princípios podem ser exercitados diariamente, pois é importante que o time de design tenha uma visão clara da importância da qualidade e como consequência, dos princípios que garantem o seu sucesso perante a empresa, e quando falamos do design, em específico, é a qualidade que garante que o design traga resultados reais para a empresa, não o contrário, essa é a minha visão para 2021, espero que tenham gostado.

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